Justiça arquiva inquérito sobre morte de militar em confronto com a PF

Edson Fonseca
Há 1 ano
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Sargento Wiratan Fraga dos Santos morreu durante troca de tiros (Foto: Arquivo Pessoal)

O inquérito sobre a morte do sargento da Polícia Militar Wiratan Fraga dos Santos foi arquivado após parecer favorável do Ministério Público Federal e decisão da Justiça. O arquivamento causou revolta entre a categoria e os parentes da vítima. Para a Federação Associações de Praças Militares do Estado do Tocantins (Faspra-TO) houve falhas no inquérito e falta imparcialidade, pois o caso foi investigado pela própria PF.

O homicídio aconteceu após um roubo na agência dos Correios de Pindorama do Tocantins, sul do estado. Depois do crime, a PM foi chamada e dois militares foram averiguar. Quando estavam no local, uma van sem identificação da Polícia Federal se aproximou e houve uma troca de tiros. O policial Wiratan foi baleado. Ele foi socorrido, mas morreu.

A esposa do sargento, Sebastiana Alves Lima Fraga, 38 anos, disse que quando soube da decisão pelo arquivamento entrou em choque. “Estou sem chão. Eles simplesmente agiram como se [meu marido] não tivesse família, como se ele não fosse uma pessoa. A sensação é de impunidade. Eu não vou parar. Eles vão ter que pagar pelo que fizeram nem que seja precisso recorrer a ONU”, disse.

Segundo o Ministério Público Federal, as provas colhidas durante as investigações revelaram que os policiais militares e federais não tinham condições, naquele momento, de perceberem que se tratavam de duas forças policiais e não de criminosos, o que levou à troca de tiros. Para o MPF, “os policiais federais agiram em legítima defesa, e por isso requereu o arquivamento do inquérito policial.”

Em nota de repúdio, a Faspra afirma que houve falhas na investigação. “Testemunhas não foram ouvidas; a investigação da PMTO, em inquérito policial militar, não foi considerada; o material da câmera de segurança que, segundo informações, gravaram as imagens a partir de um micro-ônibus estacionado nas imediações, bem como as imagens das câmeras de segurança da agência dos Correios não foram juntadas aos autos.”

Para o presidente da associação, sargento João Victor, não houve imparcialidade nas investigações. “Quem fez a perícia foram os peritos da PF, quem investigou foram eles.
Quando a PM comete erros é a Civil que investiga. Lá tudo foram eles que fizeram. Não há uma sensação de imparcialidade”, disse.

A Polícia Federal informou que o inquérito foi concluído e encaminhado ao MPF, que tomou a decisão de pedir o arquivamento.

O presidente da Associação dos Cabos e Soldados de Porto Nacional, sargento Neuzimar Ferreira da Silva, também se disse indignado.

“Isso dá sensação de impunidade tanto para a família quanto para os militares. Um dos argumentos foi a legítima defesa. Se tinha dois militares e 10 federais. Isso é legítima defesa? Não estamos dizendo que eles foram errados. Nós só queremos que a Justiça mude a decisão para que esclareça o que aconteceu”.

A PM foi procurada, mas até a publicação desta reportagem não se manifestou sobre o caso.

Entenda
Segundo informações da Polícia Militar, a vítima e um outro militar receberam uma denúncia de que alguns indivíduos não identificados estavam dentro da agência dos Correios do município. Mas quando chegaram ao local, os suspeitos já teriam fugido. Neste momento, os agentes federais chegaram e começaram a troca de tiros.

Versões
Na época, as duas corporações apresentaram duas versões. Em nota oficial, a PM disse que “os militares foram surpreendidos pela Polícia Federal em uma van sem qualquer caracterização e os policiais federais passaram a atirar na direção dos militares que estavam abrigados, os quais revidaram.”

Também em nota, o Sindicato dos Policiais Federais do Tocantins (Sinpef) afirmou que “os Policiais Militares confundiram o carro dos Policiais Federais, uma van não ostensiva, e acreditando que os criminosos estivessem retornando a cena do crime dispararam em direção ao veículo antes que os agentes desembarcassem. Neste momento, os policiais federais revidaram acreditando que estavam em combate com os criminosos”.

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Fonte: G1 Tocantins
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