Em carta, grupo derrotado por José Roberto defende apoio do PT a Kátia e Paulo Mourão

Edson Fonseca
Há 3 semanas
30
26/12/2017 as 15:30

O grupo derrotado pelo atual presidente do PT, deputado estadual José Roberto, elaborou uma carta defendendo os nomes da senadora Kátia Abreu (sem partido) e do deputado estadual Paulo Mourão (PT) como alternativas de candidatos a governador em 2018. No documento, os petistas pedem que a legenda priorize aliança com o grupo da senadora Kátia Abreu no ano que vem. “As pré-candidaturas do deputado Paulo Mourão e da senadora Kátia Abreu ao governo do Tocantins nas eleições de 2018 representam a possibilidade de elo das visões progressistas e do desenvolvimento sustentável inclusivo para política tocantinense”, ressalta o documento assinado pelos ex-prefeitos José Santana (Colinas), José Salomão (Dianópolis), pelo ex-presidente regional do PT, Júlio Cezar Ramos Brasil, pelo prefeito de Couto Magalhães, Ezequiel Guimarães Costa, e pelo primeiro suplente de Kátia no Senado, Donizeti Nogueira.

Para o subscritores da carta, a tentativa de reeleição do governador Marcelo Miranda (PMDB) “é uma aventura complexa, sangrada com a crise econômica e fiscal, a enxurrada de processos judiciais e o fraco desempenho do estado os últimos anos”; e as “demais forças tradicionais estão se organizando, uma com tendência de realizar mais do mesmo e a outra para realizar um governo de eventos, buscando os partidos e lideranças que orbitam em busca de viabilidade eleitoral”.

O grupo avalia que Mourão é um “bom gestor e político, parlamentar experiente que tem como foco a reorganização do Estado na sua atuação legislativa” e que a senadora Kátia Abreu “também [é uma] gestora eficaz e parlamentar de eficiente atuação, ex-ministra da Agricultura que tem reconhecimento nacional e internacional, que possui fortes laços de identidade e respeito no setor produtivo rural e empresarial, que conseguiu ampliar a sua inserção social e que ganhou repercussão no campo da esquerda pela força da lealdade e pelos enfrentamentos que empreendeu contra os golpistas”.

Os petistas defendem que “a constituição desse novo bloco político e social com uma narrativa moderna [é] capaz de, mais do que evidenciar as responsabilidades pela atual situação, apontar novos caminhos para a prosperidade e desenvolvimento para os próximos 20 anos, com objetivo de despertar novas esperanças”.

A carta considera que “está correto o PT trabalhar a sua candidatura ao governo do Estado”, numa referência a Mourão.

Ação conjunta
Por fim, os subscritores propõem que Mourão e Kátia, “juntamente ao PT e o PSD”, “empreendam ação conjunta para arregimentar forças políticas com vocação desenvolvimentista e de defesa do nosso Estado, dentre os diversos partidos políticos e organizações da sociedade civil com o objetivo de enfrentar as causas do baixo desenvolvimento e da pobreza que insiste em aterrorizar as famílias e especialmente a juventude do nosso Estado, por meio de um projeto de organização do estado no curto prazo”.

A carta ainda defende “um plano de governo que no médio e longo prazo promova o seu desenvolvimento alicerçado na produção de inteligência, no empreendedorismo social, na produção e oferta de produtos de qualidade, na geração de oportunidades de trabalho e emprego com distribuição de renda, no resgate e defesa de direitos tendo como foco prioritário o ser humano”.

Grupo derrotado
Esse grupo que assina a carta foi derrotado pelo do deputado estadual José Roberto na eleição interna de maio, depois de comandar a legenda por duas décadas. Eles são muito próximos da direção nacional petista e, por isso, a carta pode ser vista como uma sinalização de que o PT caminha mesmo para a base da senadora Kátia Abreu.

Inclusive, o documento faz referência aos entendimentos da parlamentar com os líderes nacionais petistas. Em determinado ponto cita: “…considerando que diante do aprofundamento das relações da senadora Kátia Abreu com as nossas lideranças nacionais do Partido…” Em setembro, ela esteve reunida na Bahia com os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff e com a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), quando teria definido o apoio petista à pré-candidatura de Kátia ao governo do Estado.

Contudo, em novembro, o PT do Tocantins lançou a pré-candidatura de Paulo Mourão ao Palácio Araguaia.

Se Kátia se elegesse governadora no ano que vem, Donizeti, um dos subscritores da carta, seria o primeiro beneficiado pelo projeto, já que assumiria em definitivo a vaga de senador. Ele já assumiu por quase um ano entre 2015 e 2016, quando a parlamentar foi para o Ministério da Agricultura no governo Dilma Rousseff (PT).

Confira a seguir a íntegra da carta:

CARTA ABERTA AOS DIRIGENTES, MILITANTES E FILIADOS DO PT E PSD 

As pré-candidaturas do deputado Paulo Mourão e da senadora Kátia Abreu ao governo do Tocantins nas eleições de 2018 representam a possibilidade de elo das visões progressistas e do desenvolvimento sustentável inclusivo para política tocantinense. Essa é a conclusão dos militantes e dirigentes ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT) que subscrevem esta Carta.

Por essa razão, essas pré-candidaturas, a nosso ver, deverão firmar compromisso de apoio mútuo formalizando um Bloco Político Social com o objetivo de fazer uma aliança com o povo tocantinense e buscar novas alianças com setores progressistas deste estado, que no momento fazem tratativas com outras candidaturas para disputar as eleições de 2018.

Evidenciamos que o atual cenário de desarranjo administrativo, fiscal, econômico, social e político do estado do Tocantins é resultado da ação política de governantes passados e atuais que insistem nas mesmas políticas desastrosas e falidas.

Ao analisarmos a atual conjuntura constatamos que:

1- Nos últimos 11 anos, o nosso estado esteve submetido a comandos de governança fragilizados pela ausência de planos de governo sustentáveis e de iniciativas inovadoras. O estado foi vítima das disputas políticas levadas à via judicial, trazendo insegurança jurídica e consequentemente efetivando a ingovernabilidade o que impediu o desenvolvimento sustentável do estado;
2- As pedras do tabuleiro para 2018 estão sendo movimentadas e os primeiros desenhos dos atores que disputarão esse processo já estão em conformação;

3- A tentativa de reeleição do atual governador é uma aventura complexa, sangrada com a crise econômica e fiscal, a enxurrada de processos judiciais e o fraco desempenho do estado os últimos anos;

4- As demais forças tradicionais estão se organizando, uma com tendência de realizar mais do mesmo e a outra para realizar um governo de eventos, buscando os Partidos e Lideranças que orbitam em busca de viabilidade eleitoral.

5- Lideranças que orbitam em busca de viabilidade eleitoral.

Assim, compreendemos ainda que cabem essas lideranças: deputado Paulo Mourão, bom gestor e político, parlamentar experiente que tem como foco a reorganização do Estado na sua atuação legislativa; e, a senadora Kátia Abreu, também gestora eficaz e parlamentar de eficiente atuação, ex-ministra da Agricultura que tem reconhecimento nacional e internacional, que possui fortes laços de identidade e respeito no setor produtivo rural e empresarial, que conseguiu ampliar a sua inserção social e que ganhou repercussão no campo da esquerda pela força da lealdade e pelos enfrentamentos que empreendeu contra os golpistas, a constituição desse novo bloco político e social com uma narrativa moderna capaz de, mais do que evidenciar as responsabilidades pela atual situação, apontar novos caminhos para a prosperidade e desenvolvimento para os próximos 20 anos, com objetivo de despertar novas esperanças.

Considerando que está correto o PT trabalhar a sua candidatura ao Governo do Estado, assim como, consideramos também que diante da estratégia definida pela Direção Nacional que prioriza a Eleição do Presidente Lula e as eleições para Câmara Federal e considerando que diante do aprofundamento das relações da Senadora Kátia Abreu com as nossas lideranças nacionais do Partido e pelo seu comportamento em defesa do nosso governo e lealdade à Presidente eleita Dilma Roussef e, sobretudo, pelas posições assumidas pela Senadora na defesa dos direitos dos trabalhadores e no combate ao Governo Usurpador de Direitos e entreguista do Michel Temer, o PT deve ter como prioridade de aliança eleitoral à Senadora Kátia Abreu e seu Grupo político.

Por isso, propomos que estes líderes, juntamente ao PT e o PSD, empreendam ação conjunta para arregimentar forças políticas com vocação desenvolvimentista e de defesa do nosso estado, dentre os diversos partidos políticos e organizações da sociedade civil com o objetivo de enfrentar as causas do baixo desenvolvimento e da pobreza que insiste em aterrorizar as famílias e especialmente a juventude do nosso Estado, por meio de um projeto de organização do estado no curto prazo. E de um plano de governo que no médio e longo prazo promova o seu desenvolvimento alicerçado na produção de inteligência, no empreendedorismo social, na produção e oferta de produtos de qualidade, na geração de oportunidades de trabalho e emprego com distribuição de renda, no resgate e defesa de direitos tendo como foco prioritário o ser humano.

Em nossa visão, são essas duas lideranças que expressam essa perspectiva, pois suas lutas vêm demonstrando o caráter empreendedor e compromisso histórico com o Tocantins.

Portanto, é urgente a constituição desse Bloco Político e Social, que conjugue os esforços da senadora Katia Abreu, do deputado Paulo Mourão e dos Partidos PT e PSD com seus dirigentes, suas militâncias e base social.

Compreendemos, ainda, que após a constituição desse Bloco Político e Social, deverá ser construída uma agenda conjunta para dialogar com os diversos segmentos da sociedade, especialmente os setores produtivos empresariais, agricultores familiares, a comunidade acadêmica, as entidades sindicais, o movimento estudantil, o movimento popular e social, o funcionalismo público, os trabalhadores na iniciativa privada e, inclusive, as personalidades que gravitam entorno de causas e projetos humanitários ou desenvolvimentistas. E a partir da junção das percepções de todo esse extrato econômico-social apresentar um projeto que assegure a certeza de que nos próximos 20 anos o Tocantins será transformado na Unidade Federativa do Brasil de melhor qualidade de vida e prosperidade, sustentabilidade e segurança.

Um projeto capaz de construir uma sinergia entre os sonhos e as esperanças e emanar a energia necessária para vencer as eleições de 2018 e conquistar a condição de assumir a comando do Estado.

Palmas, 12 de dezembro de 2017.

José Santana Neto Ex-Prefeito de Colinas, Ex-deputado Estadual e Ex-presidente do PT-TO
Júlio Cezar Ramos Brasil – Ex-prefeito de Couto Magalhães, Ex-presidente do PT-TO
Ezequiel Guimarães Costa – Prefeito de Couto Magalhães
Divino Donizeti Borges Nogueira – Senador Suplente, Ex-presidente PT TO
José Salomão Jacobina Aires – Ex-prefeito de Dianópolis e 1º Suplente de deputado Estadual

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